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A
expressão "meio hipercarbônico"
descreve as propriedades reativas do ambiente
oceânico da Terra primitiva sob a composição
atmosférica postulada no modelo da ecopoese.
Devido à grande quantidade de CO2
dissolvido, especies químicas tais como
o ácido carbônico, o íon bicarbonato
e íons divalentes (principalmente o alcalino-terroso
magnésio) estão presentes em concentrações
bem mais altas que nos oceanos hodiernos, emprestando
propriedades carboxilantes capazes de afetar grupamentos
amino e carbânions Sob o equilíbrio
carboxilação-descarboxilação
assim determinado, vários compostos orgânicos
formariam séries de "análogos
hipercarbônicos" estreitamente assemelhados,
cujos membros diferem unicamente quanto à
quantidade de CO2 adicionada
às suas moléculas.

O
meio altamente polar com baixa atividade de agua
(Aw) governa o equilíbrio
de hidratação-desidratação.
Adicionalmente, um equilíbrio redução-oxidação
é parte do ambiente oceânico como um
todo, posicionado entre uma litosfera que fornece
íons redutores (sobretudo ferro e enxofre
divalentes) e a atmosfera óxica. Os fatores
que determinam o equilíbrio de carboxilação-descarboxilação
e o equilíbrio hidratação-desidratação
são designados fatores permanentes e estão
ligados a condições que somente flutuam
muito levemente. Por outro lado o equilíbrio
oxidação-redução é
governado pelos fatores eventuais, que variam grandemente,
entre os extremos redox do ambiente protobiológico.
A química do meio hipercarbônico é
central ao modelo da ecopoese pois concilia, tal
como ditado pelo princípio da congruência,
a relevância biológica das reações
de carboxilação e descarboxilação
com as evidências geológicas de uma
paleoatmosfera pesada de CO2. |
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